Para que psicanálise?

"Tem mais presença em mim o que me falta."

Manoel de Barros

 

 

    Quem sou eu?

    O que eu quero para minha vida?

    Qual o sentido de viver?

    São muitos os motivos que levam as pessoas a buscarem análise - um espaço criado para a escuta e compreensão dos sofrimentos psíquicos. Em vários momentos de nossas vidas não temos clareza dos males que nos acometem: angústias, depressões, ansiedades, questionamentos sobre a identidade, momentos de transição, tomada de decisões - e outros tantos conflitos que pairam como nuvens espessas em nossos pensamentos. O desejo de procurar terapia, também pode ser despertado por um sofrimento mais evidente - perdas: de um ente querido, de um emprego, de um amor - são questões que nos fazem estar em contato com o desamparo.

   Nesta busca por um saber mais profundo de si e de compreender melhor seus desejos e escolhas, a psicanálise é indicada. Segundo Denise Maurano, "a psicanálise não trata diretamente a doença, mas sim o sujeito que nela está implicado, o sujeito que faz da doença um sintoma que chamamos analítico - uma fonte de questionamento sobre si mesmo". Portanto, o fator determinante para que se inicie um trabalho analítico é o desejo do sujeito de ser analisado.

    A psicanálise surgiu com Sigmund Freud após entrar em contato com pacientes que não obtiveram “cura orgânica". Na época, por meio do estudo de casos de mulheres com intenso sofrimento físico, tais como paralisia e cegueira, Freud descobriu a existência de processos inconscientes que agem no sujeito sem que ele saiba. Compreendeu então, que ao escutar e “dar voz” ao sofrimento dessas mulheres, produzia-se um efeito apaziguador do sintoma, efeito que a fala tem em suscitar a verdade.

    Um método que se baseia principalmente na relação analista-analisando que aposta, sobretudo, na linguagem. O paciente "fala" livremente o que lhe vem à mente, frente uma escuta analítica.

    Tudo o que vivemos desde a gestação até a finitude, marcam nosso psiquismo e nos constituem como sujeitos singulares. Como diz Freud "Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer." Cada sujeito, assim, estabelece um modo de relação particular com o mundo, nomeando e pintando as suas vivências com cores muito próprias, que são fundamentais para a construção de novos caminhos, o que permite que outras escolhas sejam feitas.

    O processo analítico, possibilita o acesso a níveis mais profundos do desejo do sujeito, decodificando e desvendando os enigmas, nomeando aquilo que antes não tinha um nome, os não-ditos.  

    A análise propicia um espaço de encontro com si mesmo, mas o percurso é feito por cada um em seu tempo. Assim como diz o psicanalista Bruno Bellelheim, “a psicanálise capacita o homem a aceitar a natureza problemática da vida sem ser derrotado por ela, ou levado ao escapismo. A prescrição de Freud é de que só lutando corajosamente contra o que aparenta ser desvantagens esmagadoras, o homem consegue extrair um sentido da sua existência.”

    Não podemos ignorar a falta que nos constitui, o próprio nascimento já nos coloca em contato com o sofrimento. Porém, podemos encontrar outras formas criativas de conviver e ressignificar esse desamparo. Acolher as experiências em sua dimensão real e reconhecer a verdadeira condição humana é o que propicia a psicanálise.

 

"Ando muito completo de vazios".

Manoel de Barros

   

 

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