"Os Corvos" - Um chamado para a vida

Foi inspirado nos últimos 25 minutos da vida do seu pai, que Luis Ferron, coreógrafo e bailarino, criou em conjunto com Luis Arrieta -  "Os Corvos" -  espetáculo que compõe a programação Finitudes do Sesc Ipiranga.

A apresentação tem seu início em uma intensa escuridão invadida por sons de batimentos cardíacos monitorados, e que se misturam a batimentos de tambores que nos lembram o candomblé. Uma voz feminina que narra momentos, lembranças e sentimentos. 

O que passou em sua mente nos minutos finais de sua vida?

Talvez a partir dessa pergunta, Ferron e Arrieta, deram inicio a um longo período de intenso trabalho para compor a obra.

 

Os dois bailarinos compõem uma emocionante cena onde se misturam e se separam. Entrelaçamento da vida com a morte. Cuidado e libertação. A dança do viver e as perdas que sofremos no decorrer deste percurso. O incontrolável e as escolhas. 

Em um momento, o corvo se transforma em uma criança. Imaginamos a relação de um pai e filho: os primeiros passos, a criança que imita os movimentos do mais velho, daquele que é experiente e que observa com atenção o filho ainda muito pequeno. A presença forte e penetrante deste pai com a idade do mundo, o seu envelhecimento. Desta vez é o filho quem ajuda o pai a caminhar, acompanha seus passos, apoia e sustenta quem sente o peso da idade e a proximidade da morte.

O caminho percorrido pela balsa no Acheronte - o rio do submundo- a passagem para o que está no mais íntimo de nós: o inconsciente. Seria morrer estar mergulhado neste rio enigmático? Seria a morte como um sonho? Seriam estes os motivos para a morte ser um assunto tão perturbador? 

Estamos todos condenados e destinados ao fim - ao voo do corvo.  Voo belo e que também nos fascina.

Nesse espetáculo, falar de morte é falar de vida. A dor, a escuridão, o fim. O caminho para o fim, que ainda assim, é cercado de beleza, lembranças, saudades e laços de afeto que se estendem para além da vida.  Ao som belíssimo do piano e violoncelo - Tchaikovski, Ravel e Schubert - a peça nos convida para a reflexão da vida, das escolhas, do amor, os desejos, os sonhos, a falta e a morte. 

Uma reflexão à este breve intervalo entre nascimento, velhice e o fim da vida. 

A arte como mediadora, nos permite passear no mundo interno do ator - espaço de criação da peça- mas também nos possibilita, adentrar em nosso próprio universo de memórias infantis, das nossas relações e do terreno incerto que é a vida. 

 

Na foto as psicanalistas da A Casa Frida: Isadora Louza e Carla Belintani com Luis Ferron e Luiz Arrieta. 

Projeto Finitudes: A morte, tema muitas vezes silenciado pela sociedade, é o mote deste ciclo, que conta com debates, espetáculos, oficinas e mostras de filmes. De outubro a dezembro 2017.

Os Corvos: do dia 3 de novembro até o dia 5 novembro, no teatro do Sesc Ipiranga. 

 

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