33ª Bienal - Afinidades Afetivas

23 Sep 2018

Por que sentimos afinidade com algumas coisas e não com outras? O que essas afinidades nos dizem sobre nós mesmos e sobre o mundo? Quando nos deparamos com algo desconhecido, como começamos a criar relação com isso? A arte seria uma forma de nos conhecer? Do que preciso para me completar? Tenho o suficiente para fazer com que o outro me ame? Quais são os limites da linguagem? Quais os limites das representações?

 

A 33ª Bienal “Afinidades Afetivas”, em exibição de 07 de setembro até 09 de dezembro, é um convite para refletir sobre essas questões. É possível explorar a exposição escutando a playlist escolhida pelos curadores: mpb, música clássica, africana, jazz, entre outros.

 

Na curadoria de Sofia Borges, “A infinita história das coisas ou o fim da tragédia do um”, adentramos do lado de fora da caverna do Platão. Nada escapa ao mito. O dentro e o fora se misturam, mas nada une duas metades cindidas.

Frases escritas nas paredes, seria possível captar tudo o que a linguagem transmite?

"O infinito do tudo era um só. A junção do sentido era um círculo. O vazio do vazio era inteiro. A porta do fim não fechava. E no aberto não cabia mesmo o um. Porque o vão entre o tudo era um ovo. A luz que emitia era um vaso. E o ausente que havia era um só. A verdade não continha o presente. O passado um uníssono sim. O equívoco era uma espécie de antigo. A floresta era uma forma de medo. E a palavra só sabia o maior. O dourado não era sequer existente, já que sabia, a si mesmo, ser sem fim. Onde tudo cabia sem forma. O lugar do sem fim era um só. O círculo era sempre uma reta. E a volta era só o início. Cada coisa que havia era o tudo. E a verdade sequer sabia seu som. Assim, tudo podia mudar. Era um fogo brilhante."

 

No segundo andar, na exposição "Aos nossos pais" de Alejandro Cesarco entramos no trem que percorre nosso passado e que marca sua contínua presença no nosso presente. Não é por acaso que o artista endereça aos pais, na tentativa de acessar as histórias dos antepassados para sabermos quem somos.

Como reescrevemos nosso passado?

Garganta em tupi guarani, significa “ninho de palavras”. Embriões futuros que ficam nesse ninho. Quando ficamos tomados por esses embriões, como um nó na garganta, é um sinal de alarme de que algo precisa mudar. “Doença é quando a palavra se desconecta da alma.”  Conexão com nossas palavras. Passamos uma vida tentando construir uma narrativa de nossas vidas.

A análise é uma forma de construção criativa sobre nós mesmos. "O trabalho de repetir e de ressignificar ao reapresentar, reajustar e reafirmaré abordado de diversas maneiras pelos artistas de diferentes gerações. Uma rosa é uma rosa, até que deixa de ser."

 

A pesquisa da arte sempre se adianta, fornecendo vocabulários, formas expressivas e narrativas para o mal-estar até então informulado, o mal-estar sem forma. Em uma reportagem lindíssima de Christian Dunker sobre "Forma Estética e Contradição Social", o psicanalista relaciona que é nesta direção que Freud dizia que os poetas e artistas andam na frente dos psicanalistas, no sentido de que existe uma política de sofrimento e que a pesquisa da arte vem anteriormente, nomeando o que estava sem nome. 

Um campo de pesquisa que nos faz querer seguir sempre adiante e adentrar no enigma que a arte nos propõe.

 

 

 

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