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A Filha Perdida


Contém spoiler.


O filme a Filha Perdida da diretora Maggie Gyllenhaal baseado na obra de mesmo nome de Elena Ferrante, mobiliza , inquieta , provoca e faz pensar sobre os aspectos viscerais do feminino e da maternidade . Algo familiar que causa estranhamento.


Quais são os aspectos que são mobilizados frente a um encontro ?


Eu integro ou desintegro ?


Como seres humanos necessitamos de um continente para sermos acolhidos.


Para Bion o continente é a capacidade de uma mãe (ou de um outro, que inclui até mesmo o analista ) em “conter“ as angústias e necessidades do seu filho ( ou paciente ) e através da reverie sonhar e metabolizar essas experiências emocionais indigestas impensáveis .

Diante do filme e do livro, podemos supor que Leda não teve esse continente inicial. E como alguém pode oferecer algo que desconhece ?


Bianca demanda esse continente em Leda sua mãe, o que faz com que Leda reviva as angústias de sua própria infância. “Pobres criaturas saídas de mim , o que acho mais bonito nelas é aquilo que desconheço assim não é da minha responsabilidade”.


Ao encontrar uma família “barulhenta“ na praia, Leda revive sua própria história. Identificando - se com Nina e Helena ela busca inconscientemente elaborar , digerir “ atuando “ ao encontrar Helena que estava perdida na praia e depois encontrar a boneca na própria bolsa.


Ao “pegar“ a boneca seria ela uma Má pessoa ?


Ou estaria em uma tentativa de integrar um narcisismo que não teve esses cuidados ?

As cenas que ela cuida da boneca são impactantes , ela limpa , troca de roupa , esconde a boneca e de alguma forma parece desejar que ela seja "encontrada“.


A maternidade quando é exigida para aquelas que não tiveram esse continente pode ser enlouquecedor .


Uma pessoa que não teve esse primeiro encontro acolhedor, integrador. como poderá encontrar com o outro?


Quem seria portanto a Filha perdida ? Como ser uma Mãe encontrada se foi uma filha perdida ?


Winnicott diz : “Esconder se pode ser prazeroso mas não ser encontrado é uma catástrofe”.


O filme possibilita pensar o funcionamento psíquico de Leda e das demais personagens com mais compaixão e empatia . O tema “Hospitalidade” da tese de Leda convida a pensar como podemos ser “continentes“ e receber com atenção e generosidade a nós mesmos , nossa emoções , ambivalências e o desconhecido em nós e nas relações.


“A Hospitalidade ocorre quando se capta a atenção , mesmo nas crises”.


“A Atenção é a forma mais pura de rara de generosidade“.

Simone Weil .


Que possamos ser generosos e atenciosos nos nossos encontros da vida, com a gente e com o outro.


Por Alessandra Louza


 

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